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About

Ronaldo

“Falo sobre tudo, mas quando quero falar sobre mim minha voz se cala”. A citação é minha tanto quanto essa dificuldade de contar quem eu sou.

Não vou criar um perfil, mesmo porque o meu melhor lado não é nenhum dos lados, é a frente. Quando olho o espelho não dou aquela virada de lado, aquele olhar de soslaio revela um eu que não gosto.

Nasci em Porto Alegre num mês de maio, o que me fez de uma só tacada um gaúcho e um taurino. Não tenho orgulho demasiado de nenhuma das duas definições, sou antes um brasileiro orgulhoso, mas que sofre com tantos graves problemas da Pátria, e um descrente nessas coisas dos signos.

O ano, 1953, revela um homem maduro na idade e, ao contrário de toda a lógica, menos maduro no espírito, fui uma criança como todas, um jovem sizudo, hoje sou um homem com menos autocrítica e com um “laissez faire” que posso dizer que me agrada. O dia, 19, só foi importante para meus pais, marcou o nascimento do segundo filho de uma família que ainda cresceria até atingir o número sete, um ímpar que somou ao mundo três homens e quatro mulheres.

Fui uma criança comum, com todos os sonhos anormais das crianças normais, fui um jovem cheio de problemas prá mim, mas fui o sonho de todos os pais, estudioso, responsável demais. Resolvi trabalhar para poder ser um engenheiro mecânico, do trabalho nasceu um policial que cumpriu o seu papel, formou o engenheiro, mas que também tomou o lugar do futuro profissional.

Em 14 de julho de 1789 o povo de Paris formou as milícias que derrubaram a Bastilha, símbolo da opressão popular, exatamente 180 anos depois a milícia de uma pessoa só acabou com a minha vida de solteiro, capitulei por uma Rosa, na aparência e no nome, no dia 14 de julho de 1978.

Ao contrário de Brás Cubas, que não teve filhos, não transmitiu o seu legado, transmiti o legado dos Souza para dois filhos, um casal, para manter a igualdade entre homens e mulheres neste mundo, Aline e Lucas.

Há alguns anos resolvi escrever, no meu pensar “sei que me faltam qualidades, mas a língua não sofrerá demasiado com estas minhas poucas palavras”. E em poucas palavras essa é a história da minha vida, ou pelo menos os fatos mais importantes dela. O resto é recheado desses fatos comuns do cotidiano, erros e acertos, se tenho poucas glórias que me sirvam de orgulho, tenho o orgulho de não ter nenhum erro tão grave do qual deva me envergonhar.

Das coisas que gosto, que podem ajudar a formar esse todo que eu sou, destaco a leitura, o cinema e escrever, das que desgosto nem vale a pena comentar.

Esse é o Ronaldo e, como na época um nome era pouco, foi acrescido um Renato. Meu pai é um Souza assim como a minha mãe, o resultado foi um Ronaldo Renato de Souza. Do lado paterno herdei a origem portuguesa e o gosto pelas letras, do lado materno a origem italiana e o gosto pelas artes. Ao final posso dizer que não sou bom nem mau, nem melhor ou pior, sou o que sou, e este ser que eu sou me basta para ser feliz no universo.

Comentários»

1. j. de aquino - Julho 4, 2006

também não costumo (me) gostar quando olho o espelho; porém, “dou aquela virada de lado, aquele olhar de soslaio” e enfim ele me “revela um eu que não gosto”. entretanto, sou descrente da pátria e apaixonada pelos signos. o ano, 86, realmente começou (e importou) 10 após, em 96. o número 10 de fato me agrada e o sete corresponde a 7 filhos da mais mãe do que tia. não sei, ainda, que tipo de criança fui. talvez porque o seja até o presente o momento. os sonhos são normais, olhando-os pelos lados anômalos que se realizam. ou vice-versa, não sei se (me) interessa. sobre filhos, prefiro não tê-los. em parte, compartilho com brás curbas; em contra-parte, tenho individualizo-me devido ao meu pavor, pavor, pavor da preponderância que vejo em machados…há alguns anos resolvi parar de escrever. dos meus erros, certamente tenho sido sorteada pelo azar. contudo, não há pesar. não, não há porque pesar. não tenho ainda um final. ou sim. sem clichê. mas por enquanto sou ‘de aquino’. ou “a aquilo”, como chamam alguns amigos. quanto ao universo, bom, “conforme nos diz o Segundo Princípio da Termodinâmica, em Física, a entropia do universo tende a crescer”, “o Universo tende a estagnação, a inércia”, “tudo no universo tende a seguir em direção de sua Origem”, “a expansão do universo não tende a cessar; ao contrário, a expansão do universo tende a se acelerar” (opa, uma contradição?), “o universo tende a se desorganizar. Por outro lado, tudo que está vivo, tende a se organizar. Mas o homem, sendo livre, …” blábláblá. mas, perceba, a intenção não é universalizar.

entre aspas: http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&q=%22universo+tende+a%22&meta=cr%3DcountryBR.

ps.: o encontrei através de um colega ao expor um artigo seu em uma apresentação cujo tema era bias.