Ele enlouqueceu! Abril 29, 2006
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Em declarações de ontem, pude ter a certeza, é verdade, ele enloqueceu. Disse que não podia comparar o seu governo com governos anteriores do Brasil, pois era covardia, queria comparar o seu governo com todos os governos no mundo!
Depois de se achar o maior esteio moral do mundo, agora se acha o governante mais perfeito do mundo. Deve se achar um Deus, subiu para a cabeça. É o que acontece com gente despreparada, quem não tem estrutura acaba enlouquecendo mesmo. Devia ter ficado no seu torninho mecânico.
Agora vamos ter que aguentar essa figura banquirrota a dizer bobagens a três por quatro. Pode ser que alguém se apiede e interne. Queira Deus!
O vôo do astronauta brasileiro é prioritário? Abril 24, 2006
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O vôo do astronauta brasileiro é prioritário?, artigo de Ronaldo Rogério de Freitas Mourão
Ronaldo Rogério de Freitas Mourão é articulista do “O Povo”, astrônomo, criador e primeiro diretor do Museu de Astronomia e Ciências Afins, professor visitante da Universidade Vale do Acaraú (UVA-Sobral-CE). Escreveu mais de 75 livros, entre outros, “Anuário de Astronomia e Astronáutica 2006″. Artigo publicado em “O Povo”, do Ceará”:
Como um dos 15 parceiros no projeto de construção da Estação Espacial Internacional, o Brasil assumiu o compromisso de construir alguns equipamentos no valor de 120 milhões de dólares.
Além do treinamento pela Agência Espacial Norte-Americana, a NASA se encarregaria de enviar Pontes na lançadeira espacial; tudo isso sem nenhum custo adicional. Sem verba, o Brasil não está cumprindo com o subcontrato pelo qual deveria construir os equipamentos previstos no acordo.
Com a falta de recursos as construções dos equipamentos foram praticamente desativadas, enquanto os outros países fazem as suas contribuições para a montagem da Estação Espacial. Em conseqüência, os astronautas desses países têm prioridade para voarem ao espaço e Pontes vai acabar sendo preterido.
A situação se agravou ainda mais com o acidente do Columbia em fevereiro de 2003. Com efeito, a partir dessa data, a frota norte-americana de veículos espaciais foi desativada.
O transporte para a Estação Espacial Internacional passou a ser feito com a nave russa Soyuz. Com a lançadeira espacial, a tripulação era de sete astronautas ao passo que, com a Soyuz, é de somente três. A redução do número de assentos disponíveis fez com que a viagem de Pontes passasse a ser adiada.
O vôo de Marcos Pontes (444º vôo de um astronauta ao espaço) é na realidade uma grande jogada eleitoreira do governo. Ela não irá contribuir em nada para reafirmar o programa espacial brasileiro.
Na realidade, Marcos Pontes poderia ir ao espaço em 2009, de graça, sem o pagamento de 10 milhões de dólares, se o Brasil tivesse cumprido o acordo de construir de algumas peças para a Estação Espacial Internacional.
É mais importante cumprirmos essa tarefa do que enviar um brasileiro ao espaço, pois ela irá gerar um desenvolvimento tecnológico no Brasil. No entanto, o mais importante é destinar recursos para tornar uma realidade o programa espacial brasileiro.
Há mais de 10 anos que o veículo lançador de satélites – o VLS – está sofrendo uma “sabotagem governamental”, pois as verbas foram reduzidas depois que os ministros de ciência e tecnologia Renato Archer e Luis Henrique da Silveira deixaram o governo de José Sarney, que estabeleceu o acordo de colaboração espacial durante a sua visita à China.
Acidentes como a tragédia de Alcântara, no Maranhão – que ocorreu por falta de recursos -, poderiam ter sido evitados se tivesse havido um maior apoio do governo.
Na pesquisa espacial, os acidentes são normais. Mas logo em seguida a um fracasso é necessário que o programa tenha continuidade. A falha durante um lançamento deve ser analisada e imediatamente deve ser feita outra tentativa. Não se pode esperar tanto tempo. Um projeto de mais de trinta anos, tendo em vista a rapidez do avanço tecnológico atual, se não for revisto constitui em pouco tempo um projeto ultrapassado.
Aliás, convém acentuar que um projeto espacial não pode ser protelado por um período tão longo, como é o caso do nosso lançador.
Ganhos científicos e políticos da Missão Centenário.
Os ganhos científicos serão muito reduzidos. Não são experiências prioritárias. Elas poderiam ser realizadas em 2009. Sob o ponto de vista político, a Missão Centenário só terá repercussão no Brasil junto às classes menos esclarecidas.
Aliás, associação do envio do astronauta brasileiro com o centenário do vôo do 14-Bis vai colocar em evidência que o Brasil em cem anos sofreu um grande atraso. Naquela época, fomos os primeiros a controlar a dirigibilidade dos balões e levantar vôo com um veículo mais pesado que o ar, graças a iniciativa de Santos-Dumont.
No caso presente, o governo vai gastar 10 milhões de dólares para sermos o trigésimo quinto país a colocar um astronauta no espaço, usando lançadores de outros países. Em 1906, o Brasil foi o primeiro.
No caso do astronauta, além de não fazê-lo pelos próprios meios, seremos o trigésimo sexto país a enviar um homem ao espaço, 45 anos depois do primeiro homem. Talvez, em conseqüência desse fato não existe em relação ao astronauta o mesmo senso de patriotismo que envolve o feito de Santos-Dumont.
Na realidade, o que existe é uma certa euforia, e não patriotismo, da população brasileira em relação ao seu astronauta. É esse espírito que o governo atual quer captar para a sua reeleição.
Criticar o gasto desnecessário não é falta de patriotismo. Ao contrário, analisar as atividades do nosso governo é um ato de patriotismo e até mesmo de coragem, durante determinados regimes. Na verdade, a falta de sensibilidade dos governos em relação à pesquisa científica e tecnológica no Brasil constitui um ato de desrespeito dos nossos governantes para com o futuro da nossa pátria.
A Índia e a China que já tem os seus lançadores, há mais de dois decênios, começaram os seus programas espaciais na mesma época que o Brasil. A Índia vem lançando os seus mais diferentes satélites por meios próprios. A China foi o terceiro país a colocar um astronauta no espaço pelos seus próprios meios. Não lançou nenhum homem no espaço com auxílio de outro país.
O programa espacial brasileiro não é um modelo para as Américas. Ao contrário, é um exemplo a não ser copiado. Nosso programa espacial não será beneficiado com o vôo do astronauta brasileiro.No entanto, convém salientar que as críticas relativas à Missão do Centenário não atingem o coronel Marcos Pontes que, além de ser uma pessoa competente, vai levar a bom termo todas as oito experiências programadas.
O importante seria que as autoridades governamentais do Brasil compreendessem que o programa espacial é fundamental para a economia – o transporte de satélites é um comércio muito lucrativo – e para a segurança nacional. Aliás, fundamental para o desenvolvimento cientifico e tecnológico, tendo em vista o seu efeito nas mais diferentes indústrias, como por exemplo a de eletrônica etc.
O atraso do nosso programa espacial já deveria ter provocado uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro. Quando a URSS colocou o primeiro satélite artificial em órbita, houve um questionamento por parte dos políticos norte-americanos para saber a razão pela qual os EUA não conseguiam fazê-lo com sucesso antes dos russos. Até o sistema de ensino foi questionado. No Brasil, se perdemos a Copa é uma verdadeira crise…
Há mais de vinte anos, venho alertando o governo brasileiro sobre a importância da pesquisa espacial. Ao comentar os avanços da Índia, escrevi um artigo com o sugestivo titulo: Um exemplo para o Brasil, publicado no Jornal do Brasil de 14 de fevereiro de 1979, com a seguinte conclusão: “O exemplo indiano talvez seja um estímulo para que o Brasil procure desenvolver as suas pesquisas espaciais, dando apoio aos seus institutos, tais como o Instituto de Pesquisas Espaciais – Inpe, e que o projeto do satélite brasileiro lançado pelos nossos próprios recursos seja um dia retomado, com seriedade, ou seja, com efetivo apoio do governo. A nossa crise é grave, principalmente se considerarmos que as atividades espaciais, no Brasil, iniciaram-se em 1961, durante o governo de Jânio Quadros, e poucos resultados positivos foram obtidos se comparados com os conseguidos pelos técnicos indianos”.
Mais tarde, esse mesmo parágrafo foi publicado, no capitulo referente ao programa espacial indiano, no livro: Astronáutica do Sonho a Realidade: a história da conquista espacial, editado pela Bertrand Brasil em 1999.
(Artigo publicado no jornal O Povo, Ceará, 29/3)
167 dias de trabalho para o Fisco e juro Abril 17, 2006
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Cento e sessenta e sete dias equivalem a cinco meses e 17 dias, mais do que cinco meses e meio, quase metade de um ano de trabalho são necessários para que um trabalhador brasileiro sacie a fome do Fisco e pague os juros cobrados pelo sistema financeiro – que chamar de juros esses números escorchantes que os bancos cobram dos contribuintes é uma verdadeira ofensa.
Não sei – ou até sei – como a nossa sociedade não se revolta contra isso. Porque para tudo isso, principalmente no caso da classe média, que é quem paga tudo isso, o retorno é inexistente em termos de serviços, ou seja, além de pagar isso tudo é necessário desembolsar para pagar a educação dos filhos, planos de saúde, planos de aposentadoria, segurança particular, seguros caros e etc.
Acrescidos esses encargos aos 167 dias, são necessários mais três ou quatro meses para custear essas despesas adicionais – e que já foram cobradas nos impostos. Some-se os gastos com alimentação e você terá a resposta do porque a classe média estar quebrada.
Se digo que sei porque a sociedade não se revolta é porque conheço o nosso espírito de ovelha, somos um povo que vai para o matadouro de cabeça baixa; um povo que aceita a pecha, que aceita o arreio, o jugo e a exploração patrocinados por governos pífios, desonestos e incopetentes.
Até quando?
Campeão! Abril 9, 2006
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Sou hoje um torcedor menos fánatico do que já fui um dia – embora quem me visse torcendo hoje no final da partida final do campeonato gaúcho, nosso tradicional Grenal ( Grêmio x Internacional ) não dissesse isso, porque veria um torcedor fanático como o de antigamente.
Esse meu fanatismo tem sua origem numa aversão pela coloração da nossa crônica esportiva, que noventa porcento ou mais pende para o lado do Internacional. Hoje mesmo, quando a RBSTV transmitiu a partida final do campeonato, o comentarista do jogo era ninguém nada menos do que Elias Figueroa, o herói colorado de tantas jornadas.
Era uma festa armada, todos julgavam impossível outro resultado que não fosse a vitória colorada, o melhor time – diziam eles – quase imbatível. Esqueceram de combinar isso com os valentes e briosos jogadores do Grêmio e, na hora da decisão, os atletas gremistas melaram a festa dos colorados. Fica uma lição: modéstia é uma virtude importante, humildade também, e não se comemora nada na véspera, para ser o melhor é preciso primeiro ganhar.
Parabéns Grêmio, Campeão Gaúcho de 2006!
Modernidades… Abril 7, 2006
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Estava vendo artistas teatrais falando sobre uma peça cujo enredo é os três meios – ou instrumentos – de escravização do homem moderno: o telefone celular, o relógio e o trânsito. Não tenho um telefone celular, não uso relógio há mais de vinte anos, e não dirijo mais regularmente, portanto… sou quase um ser de outro planeta.
Afora a brincadeira, tudo isso é verdade, não uso nenhum desses instrumentos de pressão e de tortura dos dias de hoje. Já estou acima deles, independente deles nos dias de hoje e, posso dizer, que essa é uma sensação boa.