Tristeza outubro 25, 2010
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Não escuso reconhecer a importância da participação política, não sou o analfabeto político de Brecht, ainda assim sinto uma profunda tristeza com nosso processo político.
Vou para as urnas como quem vai para o matadouro, a morte é inevitável. Cada eleitor um voto, como recomenda qualquer sistema democrático, mas é triste saber que a maioria dos votos provém de eleitores desqualificados.
Tenho um irmão que sempre diz: “Para conseguir uma carteira de motorista são necessárias aulas, exames médico e psicotécnico, prestar provas escrita e prática; para conseguir um título de eleitor não é necessário nada. Com um carro mata-se um, dois, trës ou quatro, com um voto mal dado mata-se milhões”.
Mata-se mais, mata-se o futuro do país, gerações são condenadas ao ostracismo, ao obscurantismo. E este é o quadro que vejo no país. Sei que o meu voto, seja para qual lado que for, não irá mudar nada, meu destino já está traçado, meu caminho decidido.
Mas ainda assim, triste, eu vou…
As galinhas e a justiça outubro 23, 2010
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Embora o titulo possa sugerir uma fábula, não se trata de nada disso, é título de uma história real, aconteceu no interior do Rio Grande do Sul, onde uma promotora pública está prcessando um caminhoneiro pelo atropelamento (seguido de morte) de duas galinhas.
O galinicida, motorista do caminhào, alega que as frangas estavam sobre a estrada e que para evitar o galinicídio seria necessária manobra arriscada que poderia colocar em risco a carga (12 mil quilos de cimento), a sua vida e, quem sabe, a de algum outro motorista.
Eu já fico imaginando qual será a próxima: um mosquiticidio? um formiguicidio? De hoje em diante passarei a prestar redobrada atenção aos meus passos, não quero perder a minha primariedade criminal acusado de algum desses crimes. Sabe-se lá quando vai se encontrar com uma promotora dessas.
Também é e se imaginar que não haja casos mais graves para serem tratados pela nossa justiça, que deve andar ãs moscas….
Num longo e distante passado janeiro 23, 2010
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Nossa noção de tempo perdeu o sentido da exatidão, o tempo não é mais uma grandeza absoluta, mas relativa. Pode parecer que para tudo o tempo passa de forma igual, mas a nossa percepção desmente essa verdade matemática. O tempo na nova era da informática, para dar um exemplo, passa (ou se tem a impressão de que passa!) numa velocidade ao menos duas vezes mais rápida do que o tempo “comum dos mortais”. Falar-se num período de dez anos em relação a internet representa falar em um século.
Experimente perguntar para qualquer um dos novos internautas o que é linguagem Cobol, ou o que é D.O.S., só para dar dois exemplos. É quase certo que essa pessoa não fará a menor idéia do que se trata. Tudo isso pela velocidade com que as coisas são atualizadas nesse mundo da era digital. Isso faz com que as pessoas só consigam ver num horizonte próximo, num período de tempo que não ultrpassa a meia dúzia de anos.
A velocidade com que a tecnologia avança é muito maior para um dado mesmo espaço de tempo. Isso faz com que a nossa percepção relativize o que é absoluto. Caminhamos para a época da instanteneidade, das megavelocidades. Há pouco troquei o meu computador, exigindo um mais rápido, ou seja, não consigo mais ficar esperando por “longos segundos” para que a máquina processe um aplicativo ou carregue uma imagem, um vídeo, um filme.
E pensar que num passado não tão distante as coisas só estavam na era do jato!
O Passear dos Anos dezembro 30, 2007
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Muito mais do que um passar de anos, vejo um passear de anos, sensação de que os anos mais do quem passam, eles desfilam como esnobes modelos numa passarela, e nesse desfilar levam consigo a vida. Sinto-me como um assistente nesse desfile, sou paciente, não sou autor, não sou agente. Sensação de quem se sente ausente, pasmo, figurante, marionete…
Acredita? junho 6, 2007
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Saber o que cada um dos brasileiro pensa dessas versões absolutórias sobre os acusados do senado é uma incógnita. Não quero falar no caso concreto, não tenho acesso às provas, aos dados do procedimento sumário que está sendo levado a efeito mais para absolver do que para investigar. Dizer que um alto funcionário, um diretor, de uma construtora multinacional, não passa de mero officeboy? Ou que não há a mais banal das provas da defesa: um simples extrato bancário contendo as retiradas mensais – de todos os meses! – que justifiquem os pagamentos efetuados?
Não é má vontade, é experiência, pagamento em espécie cheira mal. Todos sabem que é recurso usado pelos corruptos para evitar a contabilizaçào de ativos com uma origem mal explicada – ou que não pode ser explicada. Quando se sai do campo das provas e entra no campo da fé, saí de campo também a lógica, a coisa vira dogma, e dogma é coisa que não há como discutir.
Que cada um siga acreditando nas suas crenças; quem sou eu para dizer que essa história de fada do dente, papai noel e coelhinho da páscoa são fábulas?
Segredos maio 25, 2007
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Segredo, do Lat. secretu, s. m., aquilo que se quer cuidadosamente ocultar ou se não deve dizer; aquilo que não está divulgado; mistério; o que se diz ao ouvido de alguém; confidência; discrição; lugar oculto; esconderijo; recesso; prisão rigorosa em que se está incomunicável; meio particular para se obter certo resultado; mola oculta ou jogo de movimentos para se abrir um cofre, etc. ; – de Estado: facto que, a divulgar-se, prejudicaria os interesses da Nação; – profissional: sigilo a que estão obrigadas certas pessoas no exercício da sua profissão ou mister, tais como advogados, médicos, confessores, etc. (Fonte: Dicionário da Língua Portuguesa Priberam – PT)
Falo sobre o que desconheço, a lei do processo penal, os casos em que há necessidade do segredo de justiça. Lembro também da lei da mordaça, que buscava silenciar as autoridades durante as fases da investigação, antes do transitado em julgado. Vejo coerência na lei, mas vejo tratamento desigual, não vejo o mesmo tratamento com os humildes, com a classe menos privilegiada da população. Confesso também um certo temor, num estado em que tudo – rigorosamente tudo! – acaba em pizza, não permitir a publicidade equivale a abrir um fosso ainda maior entre os delinqüentes e a penalização, equivale a institucionalizar o que já existe, a impunidade . O assunto é polêmico, reconheço.
Gostaria de ouvir outras opiniões.
Futebol maio 6, 2007
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Há pouco acabou o jogo que decidiu o Campeonato Estadual de 2007 – Campeonato Gaúcho -, vitória do Grêmio sobre o Juventude por 4 x 1 e conquista do Bi-campeonato estadual. O estádio lotado atesta o fascínio que o futebol ainda exerce nos brasileiros, acho que se pode dizer no mundo, exceção feita aos norte-americanos.
Quarenta e sete mil pessoas se deslocaram até o estádio para acompanhar o jogo, uma multidão que encheu o estádio e que é mais representativa quando se sabe que o jogo seria transmitido ao vivo pela televisão – com menos vida de quem vai ao campo, é claro!
Aqui no Brasil o futebol é um ópio poderoso, necessário, ante tantas amarguras e lutas que esse povo enfrenta.
Ufa! março 11, 2007
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Essa exclamação do título é para expressar um alívio pela diminuição do calor aqui nessa terra. Não pensem que é choro de quem não está acostumado ao calor, meus filhos chegaram a alguns dias de Porto de Galinhas/Pe, e dizem que não é comparável o calor de Porto Alegre com o de Pernambuco, que lá é fichinha comparado com o nosso aqui.
Quem entende alguma coisa do riscado, sabe que temperatura não é algo que se possa medir só em valores absolutos – embora nós andássemos beirando os 37 graus por aqui. Não é por outra coisa que os metereologistas inventaram o que passaram a chamar de “sensação térmica”, para tentar explicar porque a mesma temperatura em locais diferentes tem-se sensações de calor diferentes.
Não gosto de nenhum dos dois extremos – muito frio/calor -, o que quer dizer que estou ferrado por aqui, isso é exatamente o que abunda por aqui: muito calor no verão, muito frio no inverno. Nada é perfeito…
Dispersivo março 4, 2007
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Essa é a característica – ou defeito? ou qualidade? – que define o meu momento atual, eu ando dispersivo, sem capacidade de concentração numa só tarefa, ou sem poder focar um só assunto, quero e fico querendo abraçar o mundo e não conseguindo, é claro!, não pegando nada – e é sempre assim, não é?
Concentração, foco, tema, uma necessidade em tudo, até – ou principalmente – em blog. Lembrei de Charles Chaplin, de Tempos Modernos, e de duas cenas do filme: numa em que ele aparece sorrindo no meio das engrenagens da grande máquina – o sorriso de Chaplin dizia muito; e noutra, ao final do filme, o vagabundo caminhando numa estrada rumo ao desconhecido, mas dessa vez acompanhado. Lembram?
Maus ou bons tempos? Chaplin lembra os anos 30, a grande depressão americana, mas também traz a pureza daqueles tempos em que o homem era menos predador da natureza e – talvez – do próprio homem. Hoje tudo está mudado. A crise não afeta a bolsa, afeta o bolso de uma população a margem do sistema, que vive no terceiro mundo. Nós e os outros… nós com nosso eterno futuro irrealizável…
Somente divagações de quem não consegue focalizar…
Sorte/Azar fevereiro 6, 2007
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Classificar as coisas boas ou más que nos acontecem como sorte ou azar é desacreditar na nossa capacidade de escolher caminhos, ou de tornar os nossos caminhos melhores. Se é verdade que muitas coisas ocorrem independente da nossa vontade, muitas vezes os acontecidos se dão por ações ou omissões da nossa parte. Talvez no mudar o que pode ser mudado, e aceitar o que não pode ser mudado, como diz o dito popular, esteja realmente a sabedoria.